Você está dirigindo normalmente quando escuta um estalo forte vindo da parte da frente do carro. Em poucos segundos, percebe um pequeno ponto, uma lasca ou até o início de uma trinca no vidro. A situação é bastante comum, principalmente em rodovias, vias em obras ou trechos onde há pedras e cascalhos soltos.
Apesar de o primeiro impulso ser verificar imediatamente o tamanho do estrago, é importante agir com cuidado. Uma pedra atingindo o vidro não significa necessariamente que será preciso substituí-lo, mas ignorar o problema também não é uma boa ideia. Dependendo do tamanho, profundidade e localização do dano, pode ser possível realizar um reparo. Em outras situações, a troca será a alternativa mais adequada.
Além disso, um pequeno ponto de impacto pode aumentar com vibrações, mudanças bruscas de temperatura ou novos impactos.
Por isso, saber o que fazer nos primeiros minutos pode ajudar a preservar o vidro e, principalmente, manter a segurança durante a condução.
1. Não freie bruscamente após ouvir o impacto
O primeiro cuidado é manter o controle do veículo.
O som de uma pedra atingindo o vidro pode ser alto e assustar, especialmente quando acontece em alta velocidade. Mesmo assim, não freie repentinamente apenas para observar o que aconteceu.
Em uma rodovia, uma frenagem brusca pode provocar uma situação muito mais perigosa do que o próprio dano no vidro.
Continue dirigindo com atenção e procure um lugar apropriado para parar, como um posto de combustível, estacionamento, área de descanso ou acostamento seguro quando realmente necessário.
Se o impacto causar um dano muito grande e prejudicar imediatamente a visibilidade, reduza a velocidade gradualmente e procure um local seguro para interromper o percurso.
2. Observe se sua visão da pista foi prejudicada
Antes mesmo de parar, é possível fazer uma avaliação inicial sem desviar a atenção da direção.
A principal pergunta é:
o dano está atrapalhando a visão da pista?
Uma pequena marca no canto do vidro é muito diferente de uma grande trinca atravessando a região diretamente à frente do motorista.
Quando o dano interfere no campo de visão, continuar dirigindo pode se tornar perigoso.
Além da própria trinca, reflexos produzidos por faróis, iluminação pública ou luz solar podem dificultar ainda mais a visualização.
Em situações de chuva ou durante a noite, esse problema pode se tornar mais perceptível.
3. Pare em segurança e analise o ponto atingido
Depois de estacionar em um lugar seguro, observe o vidro.
Não é necessário pressionar ou manipular o local.
Faça apenas uma inspeção visual.
Procure identificar:
- onde a pedra atingiu;
- tamanho aproximado da marca;
- existência de pequenas linhas partindo do impacto;
- quantidade de pontos danificados;
- distância entre o dano e a borda do vidro;
- interferência no campo de visão;
- evolução da trinca.
Essas características ajudam posteriormente na avaliação profissional.
Também vale tirar uma fotografia.
Faça uma imagem aproximada e outra mostrando a localização do dano no vidro inteiro.
Isso permite comparar posteriormente e verificar se a trinca aumentou.
4. Não pressione a região danificada
Ao encontrar uma pequena marca, algumas pessoas passam o dedo ou pressionam o ponto para verificar sua profundidade.
Não faça isso.
Se o vidro já sofreu uma avaria, aplicar pressão desnecessária não oferece nenhum benefício.
O mesmo vale para tentar raspar a área com objetos.
A recomendação é interferir o mínimo possível até obter uma avaliação adequada.
Uma pequena marca pode ter características diferentes daquelas percebidas apenas visualmente.
Por isso, não tente determinar a resistência do vidro pressionando o ponto atingido.
5. Evite mudanças bruscas de temperatura
Esse é um dos cuidados mais importantes após o impacto.
Vidros sofrem expansão e contração conforme a temperatura varia. Quando existe uma região danificada, diferenças térmicas acentuadas podem contribuir para aumentar uma trinca.
Imagine que o veículo ficou estacionado durante horas sob o sol.
O vidro está bastante quente.
Ao entrar no carro, o motorista liga o ar-condicionado no máximo e direciona o fluxo gelado diretamente para o vidro.
Essa mudança brusca de temperatura não é recomendada, principalmente quando já existe uma avaria.
O contrário também merece atenção.
Não jogue água muito quente em um vidro extremamente frio nem água gelada em um vidro muito quente.
Procure permitir uma mudança gradual de temperatura.
6. Evite jogar água diretamente no local
Se a pedra criou uma pequena lasca, evite direcionar jatos fortes de água para o ponto atingido.
Isso é especialmente importante em lavadoras de alta pressão.
O ideal é realizar uma avaliação antes de submeter a área danificada a pressão desnecessária.
Se precisar limpar o vidro para manter a visibilidade, faça isso cuidadosamente.
Não esfregue com força sobre a região atingida e evite produtos abrasivos.
7. Proteja o ponto contra sujeira
Em determinados tipos de pequenos danos, sujeira e umidade podem se acumular na região.
Como medida temporária, uma fita adesiva transparente pode ser colocada cuidadosamente sobre um pequeno ponto de impacto externo para ajudar a protegê-lo contra impurezas até a avaliação.
Isso não é um reparo.
A fita não recupera a resistência do vidro nem impede necessariamente que uma trinca aumente.
Sua função é apenas servir como proteção temporária.
Também é importante que a aplicação não prejudique a visibilidade do motorista.
8. Não tente fazer reparos caseiros
Cola instantânea, esmalte, resina sem procedência, pasta de dente e diversas outras soluções aparecem em vídeos na internet como formas de “consertar” vidros.
O problema é que uma solução improvisada pode contaminar a região e dificultar uma intervenção profissional.
Além disso, fazer uma marca parecer menor não significa recuperar adequadamente o vidro.
Se o dano tiver possibilidade de reparo, o procedimento deve ser realizado com materiais e equipamentos adequados.
Portanto, evite preencher a área por conta própria.
9. Uma pequena trinca pode aumentar?
Pode.
Não existe garantia de que toda marca pequena irá aumentar, mas existem diversos fatores capazes de favorecer a propagação.
Entre eles estão:
- buracos;
- lombadas;
- vibrações constantes;
- estradas irregulares;
- choque térmico;
- novos impactos;
- pressão sobre o vidro.
É por isso que esperar a trinca crescer para procurar ajuda não costuma ser uma boa estratégia.
Uma avaria que inicialmente poderia ser avaliada para reparo pode evoluir e tornar necessária uma solução diferente.
10. Tenha cuidado com buracos e vias irregulares
Até conseguir avaliar o vidro, tente dirigir com suavidade.
Não é necessário abandonar o veículo por causa de qualquer pequeno ponto provocado por uma pedra.
Porém, se houver uma trinca visível, reduzir impactos desnecessários é uma medida prudente.
Passe devagar por lombadas.
Evite buracos sempre que puder fazer isso com segurança.
Se existir uma rota alternativa em melhores condições, considere utilizá-la.
As vibrações fazem parte do uso normal do carro, mas não há motivo para aumentar esse esforço enquanto o vidro já apresenta um dano.
11. Evite bater as portas
Outra recomendação simples é fechar as portas normalmente.
Não precisa deixá-las abertas ou ter medo de utilizar o carro.
Apenas evite bater com força.
O fechamento brusco pode gerar vibrações e alterações de pressão no interior do veículo.
Quando o vidro está intacto, isso normalmente não representa problema.
Quando já existe uma trinca, vale reduzir impactos desnecessários até realizar a avaliação.
12. O dano sempre exige troca?
Não.
Dependendo das características da avaria, pode existir possibilidade de reparo.
O profissional deverá considerar aspectos como dimensão, profundidade, formato e localização.
Pequenos danos podem ter condições técnicas para serem reparados.
Já uma trinca extensa, um dano complexo ou determinadas localizações podem tornar necessária a substituição.
Por isso, não é possível estabelecer apenas pela aparência que todo vidro atingido por pedra precisa ser trocado.
Da mesma maneira, também não é correto assumir que qualquer marca pode ser reparada.
A avaliação é importante justamente para diferenciar essas situações.
13. A localização da trinca importa
Muito.
Um dano localizado diretamente no campo de visão do motorista merece atenção especial.
Mesmo após determinados procedimentos, qualquer alteração visual naquela região pode interferir na condução.
As bordas também são importantes.
O vidro automotivo está submetido a esforços e integra um conjunto instalado na carroceria.
Por isso, dois danos com o mesmo tamanho podem receber avaliações diferentes dependendo de onde estão localizados.
14. O para-brisa não serve apenas para bloquear o vento
O vidro dianteiro possui uma função evidente: separar os ocupantes do ambiente externo.
Ele protege contra vento, chuva, poeira, insetos e pequenos objetos.
Mas sua importância vai além do conforto.
O vidro dianteiro faz parte do conjunto estrutural do automóvel e precisa permanecer em boas condições.
Além disso, é uma das superfícies mais importantes para a visibilidade do motorista.
Pequenas avarias, riscos e trincas podem interferir na forma como a luz atravessa o vidro.
Durante o dia, isso pode gerar reflexos.
À noite, os faróis de outros veículos podem tornar essas imperfeições ainda mais perceptíveis.
15. Carros modernos exigem atenção adicional
Em veículos mais novos, trocar o vidro dianteiro pode envolver mais do que simplesmente remover uma peça e instalar outra.
Alguns automóveis possuem câmeras e sensores relacionados a sistemas avançados de assistência ao motorista.
São os chamados sistemas ADAS.
Dependendo do modelo, uma câmera instalada na região superior do vidro pode participar de funções como:
- alerta de saída de faixa;
- manutenção em faixa;
- reconhecimento de sinais;
- frenagem automática de emergência;
- controle de determinados sistemas de assistência.
Quando existe necessidade de substituição do vidro, esses componentes precisam ser considerados.
Em determinados veículos, procedimentos de calibração podem ser necessários após o serviço.
16. Posso continuar dirigindo com uma pequena trinca?
Isso dependerá das características do dano.
Se a trinca compromete a visibilidade ou apresenta extensão significativa, continuar utilizando o veículo normalmente não é recomendável.
Além da questão de segurança, existem regras de trânsito relacionadas às condições dos vidros dos veículos.
Por isso, o ideal é procurar avaliação assim que possível.
Não espere o dano chegar de uma extremidade à outra do vidro.
Quanto antes você souber se é possível reparar ou se será necessário substituir, mais fácil será planejar a solução.
17. Verifique a cobertura do seguro
Quem possui seguro automotivo deve consultar as condições da apólice.
Alguns planos oferecem cobertura específica para vidros.
Dependendo do contrato, podem existir regras diferentes para:
- reparo;
- substituição;
- franquia;
- quantidade de utilizações;
- tipos de vidro;
- serviços adicionais.
Não assuma automaticamente que o seguro cobre qualquer situação.
Consulte a apólice ou fale com a seguradora.
Se houver cobertura, siga o procedimento indicado para solicitar atendimento.
18. O que fazer se isso acontecer durante uma viagem?
Quando uma pedra atinge o vidro em uma viagem, pode não existir uma empresa especializada próxima.
Nesse cenário, avalie primeiro a segurança.
Se o dano for pequeno e não prejudicar a visibilidade, procure dirigir com cautela até conseguir atendimento.
Evite mudanças bruscas de temperatura e impactos.
Se a trinca estiver aumentando rapidamente ou prejudicar a visão, a situação muda.
Procure um local seguro e avalie as alternativas disponíveis antes de continuar o trajeto.
Em viagens longas, também pode ser útil consultar a assistência do seguro.
19. Quanto antes avaliar, melhor
Talvez a principal recomendação depois de uma pedra atingir o vidro seja não adiar indefinidamente a avaliação.
Uma pequena marca pode parecer apenas estética.
Entretanto, a possibilidade de reparo ou necessidade de substituição depende das condições reais do dano.
Esperar a avaria aumentar não oferece vantagem.
Se o vidro puder ser reparado, descobrir isso cedo é melhor.
Se precisar ser substituído, o motorista também poderá organizar o serviço antes que o problema comprometa ainda mais a utilização do veículo.
O que não fazer depois que uma pedra bater no vidro?
Depois do susto, lembre-se principalmente do que evitar:
- não freie bruscamente;
- não pressione o ponto atingido;
- não tente abrir ou raspar a trinca;
- não aplique cola ou soluções caseiras;
- não jogue água gelada sobre um vidro muito quente;
- não direcione jatos de alta pressão para a avaria;
- não bata as portas desnecessariamente;
- não ignore uma trinca que esteja aumentando;
- não continue dirigindo normalmente se a visibilidade estiver comprometida.
São atitudes simples, mas que ajudam a evitar complicações.
Autoglass: especialista em vidros e peças automotivas
Depois dos cuidados iniciais, o próximo passo é procurar uma empresa especializada para avaliar o dano e identificar se existe possibilidade de reparo ou se a substituição é necessária.
A Autoglass atua no mercado de vidros e peças automotivas e possui soluções para diferentes marcas e modelos de veículos. Em seu catálogo, é possível encontrar opções de para-brisa considerando as características específicas de cada automóvel.
A escolha correta do vidro é importante porque veículos de mesma marca podem apresentar diferenças conforme modelo, ano e versão. Além disso, automóveis equipados com sensores, câmeras e outras tecnologias podem utilizar vidros com especificações próprias.
A Autoglass também conta com lojas físicas distribuídas pelo Brasil e oferece serviços relacionados à instalação e reparação de vidros automotivos.
Assim, se uma pedra atingir o vidro, a recomendação é agir rapidamente, mas sem improvisar. Mantenha o controle do veículo, pare em segurança, verifique o dano, evite choques térmicos e não aplique soluções caseiras.
Depois, procure uma avaliação especializada.
Um pequeno impacto nem sempre significa que será necessário substituir todo o vidro. Porém, deixar uma avaria sem avaliação pode permitir que uma pequena marca se transforme em uma trinca maior. Quanto antes o problema for identificado, mais fácil será determinar a solução adequada e voltar a dirigir com segurança e boa visibilidade.
* Conteúdo desenvolvido pela jornalista Daiane de Souza (0007147/SC).

